O Fenômeno da Morte como Comprovação Científica
do Evolucionismo Cósmico
O edifício biológico, ao morrer, resulta destruído e reduzido à
matéria inorgânica, mas, a vida o reconstrói em uma indestrutível
unidade mais complexa e perfeita que a precedente.
O significado da reencarnação no processo antagônico entre
“Sistema” e “Anti-Sistema”.
De onde é a procedência do medo natural que todo ser tem da morte?
Ela representa o símbolo, a recordação e constitui a prova da queda do ser no Anti-Sistema. Ela representa também a negação da primeira qualidade do ser, que é o existir. A morte exprime ainda um contínuo e repetido assalto do Anti-Sistema contra o Sistema para destruí-lo, reproduzindo o suicídio tentado pelo espírito lançando-se no abismo da matéria.
A morte é a terrível reclamação do Anti-Sistema contra a destruição, sendo como o retornar ao seu impulso inicial demolidor de tudo. Com o seu aproximar-se o ser se sente recair no abismo da anulação, na profundeza da qual já tinha se precipitado com a queda. Ele se sente aterrorizado ao ver-se preso de novo no ciclo da queda que torna a aprisioná-lo a fim de arrastá-lo para baixo.
Isto demonstra que o ser conhece o Sistema com o seu estado de plenitude de vida, que é o seu anseio máximo, como também prova conhecer o Anti-Sistema com seu estado de negação da vida plena, na qual foi precipitado com a queda. Agora, o seu maior instinto é afastar-se deste estado de ser para retornar ao Sistema. Somente com a teoria da queda se explica este instinto de fuga da morte que leva ao Anti-Sistema, para reentrar naquele estado de vida perene em que se exprime o Sistema.
O despedaçar-se da integridade original é doloroso enceguecimento do ser que assim, desesperadamente se prende à vida que sente para não se precipitar no abismo que a queda escancarou aos seus pés.
Qual o significado desta avidez de todo ser pela imortalidade, este irrefreável desejo de sobreviver de qualquer modo à própria morte, com qualquer obra que não se extingue? Esta ansiedade exprime a vontade de fugir com pressa da areia movediça do Anti-Sistema que quer engolir sua vida.
Por outro lado, existe um anseio de crescer, paralela àquela de não querer morrer. Não somente de sobreviver, mas de desenvolver-se sempre mais. As plantas e os animais querem crescer como também as crianças! Os homens querem crescer através da conquista da riqueza, do poder e da glória! Querem crescer os povos com o progresso da sua civilização. É um fato inegável que todos podem constatar este contínuo esforço do ser para não morrer, desesperadamente ligado à vida, para vencer o principio de destruição. Também é um fato inegável o contínuo esforço para aumentar e reconstruir a vida, para vencer com o principio da reconstrução, que em todas as coisas representa a presença do Sistema cósmico.
Uma vida mais fácil
Tudo isto mostra que nós somos feitos de vida perene, eterna, como ela é no Sistema. Além disso, mostra também a nossa substancial indestrutibilidade, isto é, que somos feitos de vida que não quer morrer, porque não pode morrer. Todo ser sabe, instintivamente, que, não obstante a queda, ele é filho do Sistema e não quer submeter-se ao Anti-Sistema, porque sabe que este é apenas um efeito transitório de um erro, de um equívoco, não podendo representar um estado definitivo.
O ser apesar de imerso no Anti-Sistema, tenta aquilo que aqui representa um absurdo, isto é, a plenitude da vida. O ser tenta a loucura de querer vencer a morte, porque o seu instinto lhe diz que ele é feito de vida, de uma vida mais forte do que todas as mortes.
O sonho de libertação que arde no fundo de todos os corações, enquanto parece irrealizável, está escrito que um dia se realizará e não poderá não se realizar. Eis o que significam os instintos humanos de imortalidade e de crescimento. Eles não estão enganados. O grande sonho de não morrer jamais se realizará, e, para realizar-se, espera que o ser alcance degraus acima na escada evolutiva, onde ele reencontrará o Sistema e com ele a vida eterna.
A bebida mágica criada pelos alquimistas medievais para obter a eterna juventude, existe, mas não sob a forma de bebida, mas de esforço para evoluir, porque é com a evolução que se pode reconstruir a vida plena e contínua, não mais despedaçada pela morte.
É uma realidade que, quanto mais involuida é a vida, mais rápida é a mudança de vida para morte, a qual ela está sujeita. O que significa isto? No estado monocelular ou microbiano a vida do individuo pode reduzir-se há pouco minuto. Ora, é lógico que a presença da morte se faça tanto mais freqüente e a incerteza da vida tanto maior, quanto mais retrocedemos em direção ao Anti-Sistema. Mas, a evolução leva em direção à vida, reforçando com isto a sua posição, e subindo se torna mais longa e resistente.
O mesmo fenômeno pode ser visto no progresso da civilidade. A sabedoria maior do involuído selvagem está em saber fazer a guerra, gerando no seu plano um regime onde a maior habilidade e o mais alto valor constituem saber matar a fera e o próximo. Ao contrário, a sabedoria do evoluído civilizado não consiste em saber agredir o próximo, mas no saber se organizar com ele para a maior vantagem em tudo, o que significa um novo afirmar-se da vida sobre a morte. Assim, desaparece a ferocidade para dar lugar à inteligência.
Para que serve tanta luta, das plantas entre si, dos animais até o homem, senão para desenvolver a inteligência que é qualidade do Sistema? A morte, como qualidade do Anti-Sistema, está sempre pronta a ameaçar o instinto fundamental da vida, que é viver, existir, enquanto esta, que não quer morrer, é constrangida a se defender e com isto é levada a desenvolver as qualidades necessárias para este objetivo. É assim que despontam e se aperfeiçoam os sentidos para cumprir o escopo mais urgente que é o do ataque e defesa, exatamente como acontece com as novas invenções científicas que são usadas em primeiro lugar com esse objetivo.
Percepção é tudo
Para o animal, perceber é o mais importante. No homem, a percepção sensorial é mais apurada, que, porém tem, em compensação, conquistados outros poderes intelectuais. Com estes, é possível controlar os valores dos resultados obtidos por meio das sensações que o animal aceita cegamente sem discutir, por ser incapaz de descriminar os exatos valores.
Os animais, como homens primitivos, são muito mais escravos das ilusões sensoriais em relação ao mundo exterior do que o homem habituado ao controle de si mesmo e dos próprios meios de perfeição. Um macaco, por exemplo, com olhos extremamente móveis, é muito mais ágil do que o homem normal e mais capaz de ver ao mesmo tempo tudo o que acontece ao seu redor. Porém, muito menos de avaliar o significado da percepção recebida.
Vejamos o problema da reencarnação. Na teoria que estamos expondo, um ponto fundamental com o qual se explica tudo e sem o qual não se compreende
nada, é a reencarnação. Temos nela, sempre em contraposição, morrer e renascer como dois pólos opostos do mesmo fenômeno vida, como dois momentos paralelos, inseparáveis, um como indispensável condição para o outro.
Sem esta concepção de uma mais vasa vida que faça a conexão de todas as pequenas vidas no tempo, não é concebível o fenômeno da evolução, nem mesmo a vida espiritual, sobre a qual se baseiam as religiões. O conceito de uma criação espiritual em que não ocorra o retorno individualmente, todas às vezes, em cada nascimento, interrompe todo conceito de equilíbrio e de continuidade, tornando o universo material-espiritual um caos absurdo e desordenado, no qual não se compreende mais nada. Assim é a idéia da criação da alma em cada nascimento quando é colocada ao lado daquela que diz ser a Terra centro do Universo, em torno da qual gira o Sol e do homem ser o único habitante e objetivo da criação, como da concepção antropomórfica de um Deus que pensa e age a semelhança do homem Realmente, o ser progride através da contínua oscilação entre estas duas posições inversas e complementares que são vida e morte. Com o retorno, o espírito não morre, mas somente a sua vida se transforma no seu contrário, da qual ressuscita pouco a pouco, assim que percorre o caminho da evolução. Através das inumeráveis mortes, com a evolução, vai sempre mais ressuscitando. Acreditando negar a Deus para afirmar a si mesmo, o ser com o retorno, não toca em Deus e ao contrário, nega a si mesmo, precipitando-se da vida para a morte.
Muitos afirmam a verdade da reencarnação, mesmo no nível da moderna teoria cientifica, mas poucas pessoas perguntam-se porque a evolução tenha tomado esta forma de vida alternada com a morte. Ela teria bem podido realizar-se na forma de uma continuação progressiva, sem tal interrupção e alternância. Se fosse verdade, como alguns sustentam, que Deus tenha criado os espíritos simples e ignorantes para se tornarem completos e sapientes com a evolução, de onde teria ele nascido e que significado teria este jogo de retorno à retaguarda da vida a cada passo, em direção à morte? O espírito então, não teria razão de existir e a evolução ser percorrida pelo caminho reto, ou seja, pelo caminho que converge mais rapidamente ao ponto de partida com o de chegada, e que logicamente desenvolve um impulso direto em uma determinada direção.
Se o desenvolvimento não corresponde à natureza do impulso, então quer dizer que outros impulsos entraram em jogo. É preciso então, descobrir e estudar o seu desenvolvimento. Não se pode deixar de lado buscando ignorar o problema que então não seria resolvido. Deixar a mente insatisfeita sem uma resposta é a pior das soluções. Precisa ser explicado o fato bem claro, que a evolução não somente tende a subir como deveria suceder de uma criação nascida imperfeita e destinada a aperfeiçoar-se, mas que a evolução tende algumas vezes também a retroceder.
A teoria da queda
Precisa ser entendido esta estranha técnica construtiva da evolução pela qual demoli em baixo para depois reconstruir mais no alto e depois de novo demolir para tornar a reconstruir ainda mais no alto, e assim por diante. Que modo estranho é este de avançar, retrocedendo a cada passo! O fato de ser simples a primeira criação não justifica de fato. Com a teoria por nós exposta isto encontra plena explicarão.
Mas a coisa mais estranha é a seguinte: que é exatamente entre alguns daqueles que mais admitem a teoria da reencarnação, por esta fazer parte da sua doutrina filosófica, os que exatamente negam a teoria da Queda, por esta poder fazer parte de uma outra religião.
Quando Galileu Galilei afirmou que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas a Terra em torno do Sol, ele queria afirmar uma verdade cientifica e não religiosa, e a Bíblia não tinha nada que fazer com aquele problema.
A parte isto, aqueles que admitem a reencarnação e negam a teoria da Queda não sabem como são estreitamente ligadas as duas coisas, e que, negando a queda eles negam o Anti-Sistema e tudo o que pode explicar a existência da morte e da afirmativa vida-morte, que se chama reencarnação.
Sem a Queda não se justifica a reencarnação e quem nega a primeira teoria deve negar também a segunda, por não possuir argumentos para lhe dar razão. Se a maior explicação da razão de ser da reencarnação está na teoria da queda, não é logicamente possível admitir que se possa acreditar na reencarnação sem aceitar a teoria da Queda, que a condiciona.
Somente com esta teoria se pode compreender a necessidade deste contínuo retorno à retaguarda, que se chama morte, sempre por meio do lance a frente que representa o maior impulso da vida. Somente com a teoria da Queda se explicam as contínuas contrações da conquista da evolução em direção a um passado que não se compreende se não estiver situado no Anti-Sistema, derivado da queda. Somente assim se compreende esta tendência à retomada da trajetória desenvolvida pela evolução, tendência ao retorno à retaguarda em direção à morte, enquanto tudo está subindo em direção a vida.
Explica-se, portanto, o tipo de vida intermitente que o ser possui. A vida sem a queda, mesmo se imperfeita deveria ser contínua, evolvente por continuidade e não através do contraste entre dois pólos opostos, vida e morte. Assim se explica este truncamento e, portanto, a periódica interrupção sofrida com a morte, fenômeno de desenvolvimento da vida, mas que, ao mesmo tempo não se exaure, repetindo o desenvolver-se.
A Vida vence sempre
Este fenômeno não se pode atribuir ao cansaço ou fadiga da vida. Ele representa um principio cósmico, qualidade fundamental do ser e este principio não pode afadigar-se. Tanto é verdade que ele sempre e, inexaurivelmente, tudo reconstrói e a vida renasce invencível das cinzas da morte. Assim se explica também como a morte, não obstante seu contínuo assalto, nunca vence de forma definitiva e sempre é levada de vencida pela Vida.
A cada existência do espírito, de acordo com o grau de evolução alcançado, vai-se construindo um Edifício adequado e com o renovar-se de propósito de levá-lo a um mais alto grau de desenvolvimento. A cada morte o Edifício é demolido e a construção orgânica desfeita até ao estado de matéria inorgânica; a cada nova vida o Edifício é reconstruído até um estado de unidade orgânica um pouco mais complexa e perfeita que a precedente.
A vida representa o impulso do Sistema que redobra-se sobre o Anti-Sistema para fazê-lo ressuscitar.
A morte representa o Anti-Sistema que resiste no seu estado de destruição. O ser preso no meio desse contraste, não pode existir senão tracionado ora por um, ora pelo outro impulso, isto é, sempre morrendo e sempre renascendo.
O fenômeno da reencarnação não é estático, mas em contínua transformação, no sentido de que se faz sempre mais vida e sempre menos morte. A evolução tem a função de consumir e dissipar o Anti-Sistema e de reconstruir o Sistema.
A reencarnação é fenômeno transitório que tende, com a evolução, à própria anulação, a aniquilar-se; enquanto mais se sobe, mais a morte é reabsorvida pela vida, como é o Anti-Sistema pelo Sistema. Com a força de subir a morte desaparecerá completamente com o reentrar do ser no Sistema, onde tudo é vida. Cessará, então, também o fenômeno da reencarnação.
Completando-se a construção do edifício destruído, fecha-se o ciclo das reencarnações, porque não há mais função para cumprir, nem razão para existir. A grande aventura da Queda está completa e tudo volta ao estado originário de perfeição no Sistema.
Sursum Corda.
Pietro Ubaldi
O Fenômeno da Morte como Comprovação Científica
do Evolucionismo Cósmico
O edifício biológico, ao morrer, resulta destruído e reduzido à
matéria inorgânica, mas, a vida o reconstrói em uma indestrutível
unidade mais complexa e perfeita que a precedente.
O significado da reencarnação no processo antagônico entre
“Sistema” e “Anti-Sistema”.
De onde é a procedência do medo natural que todo ser tem da morte?
Ela representa o símbolo, a recordação e constitui a prova da queda do ser no Anti-Sistema. Ela representa também a negação da primeira qualidade do ser, que é o existir. A morte exprime ainda um contínuo e repetido assalto do Anti-Sistema contra o Sistema para destruí-lo, reproduzindo o suicídio tentado pelo espírito lançando-se no abismo da matéria.
A morte é a terrível reclamação do Anti-Sistema contra a destruição, sendo como o retornar ao seu impulso inicial demolidor de tudo. Com o seu aproximar-se o ser se sente recair no abismo da anulação, na profundeza da qual já tinha se precipitado com a queda. Ele se sente aterrorizado ao ver-se preso de novo no ciclo da queda que torna a aprisioná-lo a fim de arrastá-lo para baixo.
Isto demonstra que o ser conhece o Sistema com o seu estado de plenitude de vida, que é o seu anseio máximo, como também prova conhecer o Anti-Sistema com seu estado de negação da vida plena, na qual foi precipitado com a queda. Agora, o seu maior instinto é afastar-se deste estado de ser para retornar ao Sistema. Somente com a teoria da queda se explica este instinto de fuga da morte que leva ao Anti-Sistema, para reentrar naquele estado de vida perene em que se exprime o Sistema.
O despedaçar-se da integridade original é doloroso enceguecimento do ser que assim, desesperadamente se prende à vida que sente para não se precipitar no abismo que a queda escancarou aos seus pés.
Qual o significado desta avidez de todo ser pela imortalidade, este irrefreável desejo de sobreviver de qualquer modo à própria morte, com qualquer obra que não se extingue? Esta ansiedade exprime a vontade de fugir com pressa da areia movediça do Anti-Sistema que quer engolir sua vida.
Por outro lado, existe um anseio de crescer, paralela àquela de não querer morrer. Não somente de sobreviver, mas de desenvolver-se sempre mais. As plantas e os animais querem crescer como também as crianças! Os homens querem crescer através da conquista da riqueza, do poder e da glória! Querem crescer os povos com o progresso da sua civilização. É um fato inegável que todos podem constatar este contínuo esforço do ser para não morrer, desesperadamente ligado à vida, para vencer o principio de destruição. Também é um fato inegável o contínuo esforço para aumentar e reconstruir a vida, para vencer com o principio da reconstrução, que em todas as coisas representa a presença do Sistema cósmico.
Uma vida mais fácil
Tudo isto mostra que nós somos feitos de vida perene, eterna, como ela é no Sistema. Além disso, mostra também a nossa substancial indestrutibilidade, isto é, que somos feitos de vida que não quer morrer, porque não pode morrer. Todo ser sabe, instintivamente, que, não obstante a queda, ele é filho do Sistema e não quer submeter-se ao Anti-Sistema, porque sabe que este é apenas um efeito transitório de um erro, de um equívoco, não podendo representar um estado definitivo.
O ser apesar de imerso no Anti-Sistema, tenta aquilo que aqui representa um absurdo, isto é, a plenitude da vida. O ser tenta a loucura de querer vencer a morte, porque o seu instinto lhe diz que ele é feito de vida, de uma vida mais forte do que todas as mortes.
O sonho de libertação que arde no fundo de todos os corações, enquanto parece irrealizável, está escrito que um dia se realizará e não poderá não se realizar. Eis o que significam os instintos humanos de imortalidade e de crescimento. Eles não estão enganados. O grande sonho de não morrer jamais se realizará, e, para realizar-se, espera que o ser alcance degraus acima na escada evolutiva, onde ele reencontrará o Sistema e com ele a vida eterna.
A bebida mágica criada pelos alquimistas medievais para obter a eterna juventude, existe, mas não sob a forma de bebida, mas de esforço para evoluir, porque é com a evolução que se pode reconstruir a vida plena e contínua, não mais despedaçada pela morte.
É uma realidade que, quanto mais involuida é a vida, mais rápida é a mudança de vida para morte, a qual ela está sujeita. O que significa isto? No estado monocelular ou microbiano a vida do individuo pode reduzir-se há pouco minuto. Ora, é lógico que a presença da morte se faça tanto mais freqüente e a incerteza da vida tanto maior, quanto mais retrocedemos em direção ao Anti-Sistema. Mas, a evolução leva em direção à vida, reforçando com isto a sua posição, e subindo se torna mais longa e resistente.
O mesmo fenômeno pode ser visto no progresso da civilidade. A sabedoria maior do involuído selvagem está em saber fazer a guerra, gerando no seu plano um regime onde a maior habilidade e o mais alto valor constituem saber matar a fera e o próximo. Ao contrário, a sabedoria do evoluído civilizado não consiste em saber agredir o próximo, mas no saber se organizar com ele para a maior vantagem em tudo, o que significa um novo afirmar-se da vida sobre a morte. Assim, desaparece a ferocidade para dar lugar à inteligência.
Para que serve tanta luta, das plantas entre si, dos animais até o homem, senão para desenvolver a inteligência que é qualidade do Sistema? A morte, como qualidade do Anti-Sistema, está sempre pronta a ameaçar o instinto fundamental da vida, que é viver, existir, enquanto esta, que não quer morrer, é constrangida a se defender e com isto é levada a desenvolver as qualidades necessárias para este objetivo. É assim que despontam e se aperfeiçoam os sentidos para cumprir o escopo mais urgente que é o do ataque e defesa, exatamente como acontece com as novas invenções científicas que são usadas em primeiro lugar com esse objetivo.
Percepção é tudo
Para o animal, perceber é o mais importante. No homem, a percepção sensorial é mais apurada, que, porém tem, em compensação, conquistados outros poderes intelectuais. Com estes, é possível controlar os valores dos resultados obtidos por meio das sensações que o animal aceita cegamente sem discutir, por ser incapaz de descriminar os exatos valores.
Os animais, como homens primitivos, são muito mais escravos das ilusões sensoriais em relação ao mundo exterior do que o homem habituado ao controle de si mesmo e dos próprios meios de perfeição. Um macaco, por exemplo, com olhos extremamente móveis, é muito mais ágil do que o homem normal e mais capaz de ver ao mesmo tempo tudo o que acontece ao seu redor. Porém, muito menos de avaliar o significado da percepção recebida.
Vejamos o problema da reencarnação. Na teoria que estamos expondo, um ponto fundamental com o qual se explica tudo e sem o qual não se compreende
nada, é a reencarnação. Temos nela, sempre em contraposição, morrer e renascer como dois pólos opostos do mesmo fenômeno vida, como dois momentos paralelos, inseparáveis, um como indispensável condição para o outro.
Sem esta concepção de uma mais vasa vida que faça a conexão de todas as pequenas vidas no tempo, não é concebível o fenômeno da evolução, nem mesmo a vida espiritual, sobre a qual se baseiam as religiões. O conceito de uma criação espiritual em que não ocorra o retorno individualmente, todas às vezes, em cada nascimento, interrompe todo conceito de equilíbrio e de continuidade, tornando o universo material-espiritual um caos absurdo e desordenado, no qual não se compreende mais nada. Assim é a idéia da criação da alma em cada nascimento quando é colocada ao lado daquela que diz ser a Terra centro do Universo, em torno da qual gira o Sol e do homem ser o único habitante e objetivo da criação, como da concepção antropomórfica de um Deus que pensa e age a semelhança do homem Realmente, o ser progride através da contínua oscilação entre estas duas posições inversas e complementares que são vida e morte. Com o retorno, o espírito não morre, mas somente a sua vida se transforma no seu contrário, da qual ressuscita pouco a pouco, assim que percorre o caminho da evolução. Através das inumeráveis mortes, com a evolução, vai sempre mais ressuscitando. Acreditando negar a Deus para afirmar a si mesmo, o ser com o retorno, não toca em Deus e ao contrário, nega a si mesmo, precipitando-se da vida para a morte.
Muitos afirmam a verdade da reencarnação, mesmo no nível da moderna teoria cientifica, mas poucas pessoas perguntam-se porque a evolução tenha tomado esta forma de vida alternada com a morte. Ela teria bem podido realizar-se na forma de uma continuação progressiva, sem tal interrupção e alternância. Se fosse verdade, como alguns sustentam, que Deus tenha criado os espíritos simples e ignorantes para se tornarem completos e sapientes com a evolução, de onde teria ele nascido e que significado teria este jogo de retorno à retaguarda da vida a cada passo, em direção à morte? O espírito então, não teria razão de existir e a evolução ser percorrida pelo caminho reto, ou seja, pelo caminho que converge mais rapidamente ao ponto de partida com o de chegada, e que logicamente desenvolve um impulso direto em uma determinada direção.
Se o desenvolvimento não corresponde à natureza do impulso, então quer dizer que outros impulsos entraram em jogo. É preciso então, descobrir e estudar o seu desenvolvimento. Não se pode deixar de lado buscando ignorar o problema que então não seria resolvido. Deixar a mente insatisfeita sem uma resposta é a pior das soluções. Precisa ser explicado o fato bem claro, que a evolução não somente tende a subir como deveria suceder de uma criação nascida imperfeita e destinada a aperfeiçoar-se, mas que a evolução tende algumas vezes também a retroceder.
A teoria da queda
Precisa ser entendido esta estranha técnica construtiva da evolução pela qual demoli em baixo para depois reconstruir mais no alto e depois de novo demolir para tornar a reconstruir ainda mais no alto, e assim por diante. Que modo estranho é este de avançar, retrocedendo a cada passo! O fato de ser simples a primeira criação não justifica de fato. Com a teoria por nós exposta isto encontra plena explicarão.
Mas a coisa mais estranha é a seguinte: que é exatamente entre alguns daqueles que mais admitem a teoria da reencarnação, por esta fazer parte da sua doutrina filosófica, os que exatamente negam a teoria da Queda, por esta poder fazer parte de uma outra religião.
Quando Galileu Galilei afirmou que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas a Terra em torno do Sol, ele queria afirmar uma verdade cientifica e não religiosa, e a Bíblia não tinha nada que fazer com aquele problema.
A parte isto, aqueles que admitem a reencarnação e negam a teoria da Queda não sabem como são estreitamente ligadas as duas coisas, e que, negando a queda eles negam o Anti-Sistema e tudo o que pode explicar a existência da morte e da afirmativa vida-morte, que se chama reencarnação.
Sem a Queda não se justifica a reencarnação e quem nega a primeira teoria deve negar também a segunda, por não possuir argumentos para lhe dar razão. Se a maior explicação da razão de ser da reencarnação está na teoria da queda, não é logicamente possível admitir que se possa acreditar na reencarnação sem aceitar a teoria da Queda, que a condiciona.
Somente com esta teoria se pode compreender a necessidade deste contínuo retorno à retaguarda, que se chama morte, sempre por meio do lance a frente que representa o maior impulso da vida. Somente com a teoria da Queda se explicam as contínuas contrações da conquista da evolução em direção a um passado que não se compreende se não estiver situado no Anti-Sistema, derivado da queda. Somente assim se compreende esta tendência à retomada da trajetória desenvolvida pela evolução, tendência ao retorno à retaguarda em direção à morte, enquanto tudo está subindo em direção a vida.
Explica-se, portanto, o tipo de vida intermitente que o ser possui. A vida sem a queda, mesmo se imperfeita deveria ser contínua, evolvente por continuidade e não através do contraste entre dois pólos opostos, vida e morte. Assim se explica este truncamento e, portanto, a periódica interrupção sofrida com a morte, fenômeno de desenvolvimento da vida, mas que, ao mesmo tempo não se exaure, repetindo o desenvolver-se.
A Vida vence sempre
Este fenômeno não se pode atribuir ao cansaço ou fadiga da vida. Ele representa um principio cósmico, qualidade fundamental do ser e este principio não pode afadigar-se. Tanto é verdade que ele sempre e, inexaurivelmente, tudo reconstrói e a vida renasce invencível das cinzas da morte. Assim se explica também como a morte, não obstante seu contínuo assalto, nunca vence de forma definitiva e sempre é levada de vencida pela Vida.
A cada existência do espírito, de acordo com o grau de evolução alcançado, vai-se construindo um Edifício adequado e com o renovar-se de propósito de levá-lo a um mais alto grau de desenvolvimento. A cada morte o Edifício é demolido e a construção orgânica desfeita até ao estado de matéria inorgânica; a cada nova vida o Edifício é reconstruído até um estado de unidade orgânica um pouco mais complexa e perfeita que a precedente.
A vida representa o impulso do Sistema que redobra-se sobre o Anti-Sistema para fazê-lo ressuscitar.
A morte representa o Anti-Sistema que resiste no seu estado de destruição. O ser preso no meio desse contraste, não pode existir senão tracionado ora por um, ora pelo outro impulso, isto é, sempre morrendo e sempre renascendo.
O fenômeno da reencarnação não é estático, mas em contínua transformação, no sentido de que se faz sempre mais vida e sempre menos morte. A evolução tem a função de consumir e dissipar o Anti-Sistema e de reconstruir o Sistema.
A reencarnação é fenômeno transitório que tende, com a evolução, à própria anulação, a aniquilar-se; enquanto mais se sobe, mais a morte é reabsorvida pela vida, como é o Anti-Sistema pelo Sistema. Com a força de subir a morte desaparecerá completamente com o reentrar do ser no Sistema, onde tudo é vida. Cessará, então, também o fenômeno da reencarnação.
Completando-se a construção do edifício destruído, fecha-se o ciclo das reencarnações, porque não há mais função para cumprir, nem razão para existir. A grande aventura da Queda está completa e tudo volta ao estado originário de perfeição no Sistema.
Sursum Corda.
Pietro Ubaldi
O Fenômeno da Morte como Comprovação Científica
do Evolucionismo Cósmico
O edifício biológico, ao morrer, resulta destruído e reduzido à
matéria inorgânica, mas, a vida o reconstrói em uma indestrutível
unidade mais complexa e perfeita que a precedente.
O significado da reencarnação no processo antagônico entre
“Sistema” e “Anti-Sistema”.
De onde é a procedência do medo natural que todo ser tem da morte?
Ela representa o símbolo, a recordação e constitui a prova da queda do ser no Anti-Sistema. Ela representa também a negação da primeira qualidade do ser, que é o existir. A morte exprime ainda um contínuo e repetido assalto do Anti-Sistema contra o Sistema para destruí-lo, reproduzindo o suicídio tentado pelo espírito lançando-se no abismo da matéria.
A morte é a terrível reclamação do Anti-Sistema contra a destruição, sendo como o retornar ao seu impulso inicial demolidor de tudo. Com o seu aproximar-se o ser se sente recair no abismo da anulação, na profundeza da qual já tinha se precipitado com a queda. Ele se sente aterrorizado ao ver-se preso de novo no ciclo da queda que torna a aprisioná-lo a fim de arrastá-lo para baixo.
Isto demonstra que o ser conhece o Sistema com o seu estado de plenitude de vida, que é o seu anseio máximo, como também prova conhecer o Anti-Sistema com seu estado de negação da vida plena, na qual foi precipitado com a queda. Agora, o seu maior instinto é afastar-se deste estado de ser para retornar ao Sistema. Somente com a teoria da queda se explica este instinto de fuga da morte que leva ao Anti-Sistema, para reentrar naquele estado de vida perene em que se exprime o Sistema.
O despedaçar-se da integridade original é doloroso enceguecimento do ser que assim, desesperadamente se prende à vida que sente para não se precipitar no abismo que a queda escancarou aos seus pés.
Qual o significado desta avidez de todo ser pela imortalidade, este irrefreável desejo de sobreviver de qualquer modo à própria morte, com qualquer obra que não se extingue? Esta ansiedade exprime a vontade de fugir com pressa da areia movediça do Anti-Sistema que quer engolir sua vida.
Por outro lado, existe um anseio de crescer, paralela àquela de não querer morrer. Não somente de sobreviver, mas de desenvolver-se sempre mais. As plantas e os animais querem crescer como também as crianças! Os homens querem crescer através da conquista da riqueza, do poder e da glória! Querem crescer os povos com o progresso da sua civilização. É um fato inegável que todos podem constatar este contínuo esforço do ser para não morrer, desesperadamente ligado à vida, para vencer o principio de destruição. Também é um fato inegável o contínuo esforço para aumentar e reconstruir a vida, para vencer com o principio da reconstrução, que em todas as coisas representa a presença do Sistema cósmico.
Uma vida mais fácil
Tudo isto mostra que nós somos feitos de vida perene, eterna, como ela é no Sistema. Além disso, mostra também a nossa substancial indestrutibilidade, isto é, que somos feitos de vida que não quer morrer, porque não pode morrer. Todo ser sabe, instintivamente, que, não obstante a queda, ele é filho do Sistema e não quer submeter-se ao Anti-Sistema, porque sabe que este é apenas um efeito transitório de um erro, de um equívoco, não podendo representar um estado definitivo.
O ser apesar de imerso no Anti-Sistema, tenta aquilo que aqui representa um absurdo, isto é, a plenitude da vida. O ser tenta a loucura de querer vencer a morte, porque o seu instinto lhe diz que ele é feito de vida, de uma vida mais forte do que todas as mortes.
O sonho de libertação que arde no fundo de todos os corações, enquanto parece irrealizável, está escrito que um dia se realizará e não poderá não se realizar. Eis o que significam os instintos humanos de imortalidade e de crescimento. Eles não estão enganados. O grande sonho de não morrer jamais se realizará, e, para realizar-se, espera que o ser alcance degraus acima na escada evolutiva, onde ele reencontrará o Sistema e com ele a vida eterna.
A bebida mágica criada pelos alquimistas medievais para obter a eterna juventude, existe, mas não sob a forma de bebida, mas de esforço para evoluir, porque é com a evolução que se pode reconstruir a vida plena e contínua, não mais despedaçada pela morte.
É uma realidade que, quanto mais involuida é a vida, mais rápida é a mudança de vida para morte, a qual ela está sujeita. O que significa isto? No estado monocelular ou microbiano a vida do individuo pode reduzir-se há pouco minuto. Ora, é lógico que a presença da morte se faça tanto mais freqüente e a incerteza da vida tanto maior, quanto mais retrocedemos em direção ao Anti-Sistema. Mas, a evolução leva em direção à vida, reforçando com isto a sua posição, e subindo se torna mais longa e resistente.
O mesmo fenômeno pode ser visto no progresso da civilidade. A sabedoria maior do involuído selvagem está em saber fazer a guerra, gerando no seu plano um regime onde a maior habilidade e o mais alto valor constituem saber matar a fera e o próximo. Ao contrário, a sabedoria do evoluído civilizado não consiste em saber agredir o próximo, mas no saber se organizar com ele para a maior vantagem em tudo, o que significa um novo afirmar-se da vida sobre a morte. Assim, desaparece a ferocidade para dar lugar à inteligência.
Para que serve tanta luta, das plantas entre si, dos animais até o homem, senão para desenvolver a inteligência que é qualidade do Sistema? A morte, como qualidade do Anti-Sistema, está sempre pronta a ameaçar o instinto fundamental da vida, que é viver, existir, enquanto esta, que não quer morrer, é constrangida a se defender e com isto é levada a desenvolver as qualidades necessárias para este objetivo. É assim que despontam e se aperfeiçoam os sentidos para cumprir o escopo mais urgente que é o do ataque e defesa, exatamente como acontece com as novas invenções científicas que são usadas em primeiro lugar com esse objetivo.
Percepção é tudo
Para o animal, perceber é o mais importante. No homem, a percepção sensorial é mais apurada, que, porém tem, em compensação, conquistados outros poderes intelectuais. Com estes, é possível controlar os valores dos resultados obtidos por meio das sensações que o animal aceita cegamente sem discutir, por ser incapaz de descriminar os exatos valores.
Os animais, como homens primitivos, são muito mais escravos das ilusões sensoriais em relação ao mundo exterior do que o homem habituado ao controle de si mesmo e dos próprios meios de perfeição. Um macaco, por exemplo, com olhos extremamente móveis, é muito mais ágil do que o homem normal e mais capaz de ver ao mesmo tempo tudo o que acontece ao seu redor. Porém, muito menos de avaliar o significado da percepção recebida.
Vejamos o problema da reencarnação. Na teoria que estamos expondo, um ponto fundamental com o qual se explica tudo e sem o qual não se compreende
nada, é a reencarnação. Temos nela, sempre em contraposição, morrer e renascer como dois pólos opostos do mesmo fenômeno vida, como dois momentos paralelos, inseparáveis, um como indispensável condição para o outro.
Sem esta concepção de uma mais vasa vida que faça a conexão de todas as pequenas vidas no tempo, não é concebível o fenômeno da evolução, nem mesmo a vida espiritual, sobre a qual se baseiam as religiões. O conceito de uma criação espiritual em que não ocorra o retorno individualmente, todas às vezes, em cada nascimento, interrompe todo conceito de equilíbrio e de continuidade, tornando o universo material-espiritual um caos absurdo e desordenado, no qual não se compreende mais nada. Assim é a idéia da criação da alma em cada nascimento quando é colocada ao lado daquela que diz ser a Terra centro do Universo, em torno da qual gira o Sol e do homem ser o único habitante e objetivo da criação, como da concepção antropomórfica de um Deus que pensa e age a semelhança do homem Realmente, o ser progride através da contínua oscilação entre estas duas posições inversas e complementares que são vida e morte. Com o retorno, o espírito não morre, mas somente a sua vida se transforma no seu contrário, da qual ressuscita pouco a pouco, assim que percorre o caminho da evolução. Através das inumeráveis mortes, com a evolução, vai sempre mais ressuscitando. Acreditando negar a Deus para afirmar a si mesmo, o ser com o retorno, não toca em Deus e ao contrário, nega a si mesmo, precipitando-se da vida para a morte.
Muitos afirmam a verdade da reencarnação, mesmo no nível da moderna teoria cientifica, mas poucas pessoas perguntam-se porque a evolução tenha tomado esta forma de vida alternada com a morte. Ela teria bem podido realizar-se na forma de uma continuação progressiva, sem tal interrupção e alternância. Se fosse verdade, como alguns sustentam, que Deus tenha criado os espíritos simples e ignorantes para se tornarem completos e sapientes com a evolução, de onde teria ele nascido e que significado teria este jogo de retorno à retaguarda da vida a cada passo, em direção à morte? O espírito então, não teria razão de existir e a evolução ser percorrida pelo caminho reto, ou seja, pelo caminho que converge mais rapidamente ao ponto de partida com o de chegada, e que logicamente desenvolve um impulso direto em uma determinada direção.
Se o desenvolvimento não corresponde à natureza do impulso, então quer dizer que outros impulsos entraram em jogo. É preciso então, descobrir e estudar o seu desenvolvimento. Não se pode deixar de lado buscando ignorar o problema que então não seria resolvido. Deixar a mente insatisfeita sem uma resposta é a pior das soluções. Precisa ser explicado o fato bem claro, que a evolução não somente tende a subir como deveria suceder de uma criação nascida imperfeita e destinada a aperfeiçoar-se, mas que a evolução tende algumas vezes também a retroceder.
A teoria da queda
Precisa ser entendido esta estranha técnica construtiva da evolução pela qual demoli em baixo para depois reconstruir mais no alto e depois de novo demolir para tornar a reconstruir ainda mais no alto, e assim por diante. Que modo estranho é este de avançar, retrocedendo a cada passo! O fato de ser simples a primeira criação não justifica de fato. Com a teoria por nós exposta isto encontra plena explicarão.
Mas a coisa mais estranha é a seguinte: que é exatamente entre alguns daqueles que mais admitem a teoria da reencarnação, por esta fazer parte da sua doutrina filosófica, os que exatamente negam a teoria da Queda, por esta poder fazer parte de uma outra religião.
Quando Galileu Galilei afirmou que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas a Terra em torno do Sol, ele queria afirmar uma verdade cientifica e não religiosa, e a Bíblia não tinha nada que fazer com aquele problema.
A parte isto, aqueles que admitem a reencarnação e negam a teoria da Queda não sabem como são estreitamente ligadas as duas coisas, e que, negando a queda eles negam o Anti-Sistema e tudo o que pode explicar a existência da morte e da afirmativa vida-morte, que se chama reencarnação.
Sem a Queda não se justifica a reencarnação e quem nega a primeira teoria deve negar também a segunda, por não possuir argumentos para lhe dar razão. Se a maior explicação da razão de ser da reencarnação está na teoria da queda, não é logicamente possível admitir que se possa acreditar na reencarnação sem aceitar a teoria da Queda, que a condiciona.
Somente com esta teoria se pode compreender a necessidade deste contínuo retorno à retaguarda, que se chama morte, sempre por meio do lance a frente que representa o maior impulso da vida. Somente com a teoria da Queda se explicam as contínuas contrações da conquista da evolução em direção a um passado que não se compreende se não estiver situado no Anti-Sistema, derivado da queda. Somente assim se compreende esta tendência à retomada da trajetória desenvolvida pela evolução, tendência ao retorno à retaguarda em direção à morte, enquanto tudo está subindo em direção a vida.
Explica-se, portanto, o tipo de vida intermitente que o ser possui. A vida sem a queda, mesmo se imperfeita deveria ser contínua, evolvente por continuidade e não através do contraste entre dois pólos opostos, vida e morte. Assim se explica este truncamento e, portanto, a periódica interrupção sofrida com a morte, fenômeno de desenvolvimento da vida, mas que, ao mesmo tempo não se exaure, repetindo o desenvolver-se.
A Vida vence sempre
Este fenômeno não se pode atribuir ao cansaço ou fadiga da vida. Ele representa um principio cósmico, qualidade fundamental do ser e este principio não pode afadigar-se. Tanto é verdade que ele sempre e, inexaurivelmente, tudo reconstrói e a vida renasce invencível das cinzas da morte. Assim se explica também como a morte, não obstante seu contínuo assalto, nunca vence de forma definitiva e sempre é levada de vencida pela Vida.
A cada existência do espírito, de acordo com o grau de evolução alcançado, vai-se construindo um Edifício adequado e com o renovar-se de propósito de levá-lo a um mais alto grau de desenvolvimento. A cada morte o Edifício é demolido e a construção orgânica desfeita até ao estado de matéria inorgânica; a cada nova vida o Edifício é reconstruído até um estado de unidade orgânica um pouco mais complexa e perfeita que a precedente.
A vida representa o impulso do Sistema que redobra-se sobre o Anti-Sistema para fazê-lo ressuscitar.
A morte representa o Anti-Sistema que resiste no seu estado de destruição. O ser preso no meio desse contraste, não pode existir senão tracionado ora por um, ora pelo outro impulso, isto é, sempre morrendo e sempre renascendo.
O fenômeno da reencarnação não é estático, mas em contínua transformação, no sentido de que se faz sempre mais vida e sempre menos morte. A evolução tem a função de consumir e dissipar o Anti-Sistema e de reconstruir o Sistema.
A reencarnação é fenômeno transitório que tende, com a evolução, à própria anulação, a aniquilar-se; enquanto mais se sobe, mais a morte é reabsorvida pela vida, como é o Anti-Sistema pelo Sistema. Com a força de subir a morte desaparecerá completamente com o reentrar do ser no Sistema, onde tudo é vida. Cessará, então, também o fenômeno da reencarnação.
Completando-se a construção do edifício destruído, fecha-se o ciclo das reencarnações, porque não há mais função para cumprir, nem razão para existir. A grande aventura da Queda está completa e tudo volta ao estado originário de perfeição no Sistema.
Sursum Corda.
Pietro Ubaldi
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)